Liderança, ainda há muito que avançar.


Tema de livros, palestras, seminários, a liderança está pouco enraizada na cultura brasileira. Segundo pesquisa, apenas 33% dos executivos possuem essa qualidade bem desenvolvida

Por Toni Mello

Há quem diga que liderança pode ser aprendida. Há quem diga que é um talento. Fato é que, pesquisa realizada pela consultoria Fellipelli com 21.602 colaboradores brasileiros ao longo de 2008, apontou que apenas 32,8% dos executivos do País possuem essa qualidade bem desenvolvida. O levantamento teve como base ferramentas de análise de tipos psicológicos, que determina as preferências de cada indivíduo e como elas se desenvolvem.

Uma das características necessárias ao líder é a persuasão, sua capacidade de convencimento, em prol da corporação. “Um líder conduz o colaborador ou grupo de colaboradores em direção a algum fim. Nos negócios e nas organizações, liderança é muitas vezes comparada com 'gerenciamento'", explica Sueli Brusco, psicóloga, especialista em Marketing de Incentivo e diretora da SimGroup Incentive Marketing.

A mesma pesquisa mostrou que o autoritarismo foi visto em 48,2% dos entrevistados. Nos níveis de comando, 27,1% dos gestores brasileiros apresentam tendência a uma liderança mais autoritária e tradicional. "No ambiente corporativo, transmitir autoridade pode ser positivo, pois permite que as atividades sejam feitas de forma mais organizada e homogênea. Porém, esse método de trabalho impede que muitas mudanças boas ocorram, inibindo a renovação e a evolução das operações”, argumenta a psicóloga e sócia-diretora da Fellipelli, Adriana Fellipelli.

Recentemente, o Comitê de Gestão de Pessoas da AMCHAM (Câmara Americana de Comércio) realizou encontro que discutiu os novos papeis dos gestores como líderes num mundo em transição. Para o professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Marco Tulio Zanini , que participou do evento, a liderança vem da confiança, que é fruto das relações humanas e do exercício da liberdade individual. “Vivemos em uma sociedade onde as pessoas se enxergam como desiguais. No Brasil, o autoritarismo está impregnado na gestão”, ponderou.

O líder, segundo Marco Tulio, deve criar uma visão de futuro compartilhada, agir com transparência e integridade, conferir autonomia, gerar uma comunicação eficaz e reduzir ambiguidades. “É função do líder mostrar um norte” e completou “O líder representa o anseio da coletividade e cria sentido para o trabalho”.


[Artigo retirado da Veja RH]

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